Avó Hermínia

A minha Hermínia era uma super mulher. Uma avó de 93 anos, com preconceitos (como de resto todos temos), mas com muita vontade e capacidade para aprender, acompanhar e compreender “as coisas modernas”. Não foram poucas as vezes que me surpreendeu com opiniões formadas relativamente a acontecimentos sociais ou familiares. O que mais contava na vida daqueles que amava, era a felicidade. A felicidade pura e nua, nada de ser para mostrar a quem quer que seja. Felicidade no coração!

Tinha, no que a ela dizia respeito, uma personalidade deprimida e péssimista, mas tinha também uma força sobrenatural que lhe saía daquele corpo pequeno e frágil para dar a todos os outros. “- Arriba neta, arriba!! Não te faz bem andar enfrenizada.” – ouvi-a dizer-me mais vezes do que gostaria. E eu prendia-me naquilo, não me passava ao lado. E eu tentava fazer-lhe o mesmo: “- Não pensar no pior é um exercício tramado, mas conseguimos fazê-lo.”

Apesar do péssimismo interior que não a largava e de todas as vezes que me dizia estar preparada para ir para o pé do meu avô, a minha Hermínia gostava muito de viver, de estar presente e de nos acompanhar. Nos últimos dias, entre as coisas que me disse e me marcaram para a vida, oiço ainda cada vez que penso nela, com aquela voz trémula: “- Amo-vos tanto neta! Tenho medo. Vou sentir tantas saudades vossas! Tantas!”. Pois, também nós as sentimos. Muitas, muitas.. intermináveis e por vezes sufocantes.

Passou por muito.. demasiado. Filha mais nova de uma casa cheia, foi uma filha e irmã muito mimada. Na verdade foi mimada toda a vida, como não podia deixar de ser. Viu mãe e irmã morrer com tuberculose e viveu, depois disso, o estigma que se entranhava em quem convivia de perto com a doença. Viu a família desaparecer ..irmãos, irmãs e mais tarde marido e filho. Mas também viu nascer família e cuidou de grande parte dela. Eu cresci debaixo da sua saia, o meu irmão e primos quase. Mais tarde, brincou dias e dias a fio com a minha Mariana. Ensinou-a a andar e juntas exploraram o universo faz de conta, tardadas sem fim. A minha avó era mãe, avó, senhora da loja, o cão e o gato.. era, sim, a pessoa mais paciente do mundo.

Trabalhou, trabalhou e trabalhou a vida inteira, ao ponto de não saber o que fazer quando teve que parar de o fazer. Foi sempre dona-de-casa e “empregada” de todos. Enquanto vivi na sua casa (e ainda foram muitos anos) todos tinhamos o pequeno-almoço preparado ao acordar: torradinhas feitas ao fogão ou papas maizena levadas à cama e, atenção, com a inicial dos nossos nomes, escrita com caligrafia bonita de escola à antiga. Fazia bolachinhas e biscoitos connosco. Sempre com um pano a jeito e uma casa inteira coberta a cera e bem lustrada (chão e móveis, tudo impecável). O cheiro a casa ainda é esse, embora não o sinta há anos. Cuidava do quintal e varria as escadas diariamente. Poucas décadas antes de falecer ainda subia ao sótão e telhado para tirar as palhas e ninhos (“- Tenho pena de tirar os ninhos, mas os pássaros sujam e estragam o prédio. Mas temos que os tirar cedo, se tiverem ovos já não se tiram os bebés às mães.” – ensinou-me. Sem nunca ter tido um animal a viver em casa, tinha uma relação incrivel com todos os que lhe passavam pelas mãos. Parecia que conversavam. Minto!! Teve piriquitos em casa e sim, ensinou-os a dizer algumas palavras.

A d. Hermínia sempre foi senhora de listas. Não sei exactamente quando começou (talvez no seu 90° aniversário), mas um ano surgiu uma lista com a contagem das pessoas que lhe davam os parabéns. Nunca me tinha apercebido desta alegria com o aniversário. Era discreta, embora gostasse de atenção. Mas julgo que era a felicidade de chegar a tantos anos. Mereciam ser celebrados!! E então era isso, ainda iamos a meio da manhã e a minha avó já me dizia: “- Já me ligaram 5 pessoas e a vizinha também já me deu os parabéns. Sem contar convosco.” – com a caneta e papel na mão, ia para o quarto e acrescentava-nos. E assim seguia o dia inteiro! De olhos azuis brilhantes e sorriso aberto, ia contando o número de parabéns que recebia. E a felicidade era tanta, que eu e a minha mãe metemos o facebook ao barulho e as mensagens e likes também já eram contabilizados. Tão, tão feliz!!

Antes de falecer filmei intencionalmente a minha avó a dizer umas quadras que sabia e repetia desde pequena, para que não se perdessem. Gostava de as transcrever e lutei com essa vontade o dia inteiro, mas ainda não consegui ver o video. Vai deixar-me imensamente triste e é algo que não quero fazer grávida.

Hoje faria 94 anos e faz quase um ano que faleceu. Dava tudo para a ver fazer uma lista, uma lista gigante cheia de telefonemas, visitas, likes e mensagens. Uma lista de um bloco inteiro e voltar a ver os seus olhos azuis brilhar cheios de orgulho. E o orgulho que eu tinha neles ..e nela. A minha avó Hermínia.

Falta contar muita coisa, mas vou deixar para outro momento. Hoje senti necessidade de partilhar um pouco quem ela foi, porque merece ser recordada e reconhecida. Sei que irei sentir novamente esta vontade e outras caracteristicas, memórias e histórias hão-de surgir.

Hoje tinha que ser. Há coisas que escrevemos e que são reflectidas e há outras que nos saem directamente do coração. Este post pertence ao último grupo.

Tenho o coração carregado de saudades ♡

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Os polvos

Foi na Dinamarca que o pai de um bebé prematuro deu início a este projecto, agora difundido pelo mundo fora.

Ainda na barriga, o bebé sente o impulso de agarrar e puxar o que apanha (o cordão umbilical, as próprias mãos, a cara e restante corpo). Quando estão na incubadora a tendência é puxar os fios e tubos a que estão ligados. Ora estes amigos vêm evitar que isso aconteça com um abraço: tranquilizam os pequenos recém-nascidos, fazendo-os “voltar” à segurança do útero na companhia do seu cordão umbilical (agora substituído pelos tentáculos dos polvos).

São muitas as crocheteiras que aderiram a esta causa, agulhando os polvos que serão entregues em Hospitais com Serviço de Neonatologia pela Associação Migos, que recebem os polvos de particulares ou a partir de diversos grupos organizados para este fim, como é o caso do grupo de Facebook “O Gang do Polvo“.

Existe um modelo padronizado que deve ser seguido por motivos de segurança, e que se encontra disponível no site da associação.

Como noutras campanhas, também aqui é aconselhavel entrar em contacto com grupos ou associações já organizados, de forma a que sejam seguidos protocolos para “não atrapalhar na tentativa de ajudar”.

Cá em casa, também eu recebo a ajuda destes polvos. Neste momento, em repouso por gravidez de risco e com possibilidade de parto prematuro, era urgente manter a cabeça ocupada, preferencialmente, de forma útil.

Aconselho a quem tenha um tempinho e alguns conhecimentos em crochet, a aderir e rodear-se destes bichinhos tão, tão lindos.

Xailes e Mia!

Os dias andam cheios! Cheios de obrigações, daquelas que não podes passar para amanhã.
…e quando assim é, fazer algo que sai da lista de afazeres passa a ser uma necessidade. Sem isso as obrigações ficam pesadas. Mesmo as que te dão prazer acabam por demorar mais tempo a cumprir, porque o relógio pára! Os dias ficam aborrecidos e a criatividade é puxada a ferros!

Dito isto, reservei os serões para quê?? ..para quê?? …exacto! Xailes e Mia!

xailes

xaile red

mia dormir no sofá

xaile azul laranja e rosa

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xaile red 2

xaile cinza

Mia boceja

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Oficinas de “Agulhanço” – Entre agulhas e linhas

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Já conhecem A Grande Questão? Não??! Ahhhh… shame on you!

É um centro de explicações em Estremoz, mas que eu sei que todos gostariam de o ter por perto!! Ora além das explicações, esporadicamente, também desenvolvem actividades. E como só desenvolvem actividades espectaculares(!), eu tive que participar! Integradas num plano com oficinas nas áreas da leitura/escrita e inglês/alemão ..lá estavam as agulhas. E que bem acompanhadas estavam!!

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Só pela qualidade dos cartazes (que foram desenhados pelo meu mano mais novo – um designer tão, tão, tão talentoso!) já se prevê a maravilha de oficinas a desenvolver!

Foi a primeira vez que dei oficinas de agulhar com desta dimensão. Já o queria fazer há muito tempo, mas foi sendo adiado.. Este Verão concretizei esse desejo. Peguei na caixa de costura (e muuuito mais) e lá fui passar cerca de sete semanas à Grande Questão!

Houve oficinas de iniciação das mais diversas agulhas e formas de agulhar. E foi tão bom!!!
Foi sem dúvida, das actividades mais gratificantes que desenvolvi enquanto artesã e não é graças a mim e ao meu trabalho directamente, o que me enche de alegria e orgulho é vê-lo espelhado nas peças lindas desenvolvidas pelas crianças que ensinei. Foi ver aumentar nelas o prazer de agulhar, ir à retrosaria local e ficar a saber que já lá tinham ido comprar material porque andam a explorar os conhecimentos em casa. Foi chegar ao último dia e perceber que as conquistei e passar a receber cumprimentos deliciosos na rua quando me cruzo com elas! …que orgulho!

Vou levantar um pouquinho o véu para que possam espreitar como foram as aulas. Mais tarde apresentarei cada uma das oficinas com maior pormenor.

Oficina de Iniciação à Costura (à mão):
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3 costura 1 - mint

Oficina de Iniciação ao Bordado:
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4 Bordado 4 - mint

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Oficina de Iniciação à Tecelagem:
Tecelagem 2 - mint

Tecelagem 27 - mint

Oficina de Iniciação ao Crochet:
Crochet (8) - mint

Crochet (14) - mint

Oficina “Vamos fazer cordão!”:
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Oficina de Costumização de roupa – reutilizar e transformar:
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Oficina de Iniciação ao Macramé e outros nós:
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Mantas e coisas quentes..

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Ontem, ao final do dia, fui atacada por uma enorme onda de nostalgia.. A TPM que se apoderou de mim, o cansaço provocado pelo festival e o regresso ao conforto do ninho deixaram-me tão ranhosa e dramática que não me aturo! Hoje o dia fez questão de aguçar ainda mais o meu estado de espírito e apareceu cinzento e ventoso.

Fiquei com a estranha sensação que se tratava de um dia quente de Inverno. E assim tenho estado todo o dia: com vontade de mantas e sofá, de chá e papas de aveia e ver folhas secas lá fora plo chão (claro que não consegui concretizar nenhum destes desejos, afinal estou nostálgica(!), não estou maluquinha!!) Mas, lá está …continua a apetecer.

Sem luz para fotografar as novidades para a loja, sem vontade de agulhar e com dores, dei por mim a ler posts antigos e a tentar perceber porque raio parei eu de escrever. Mais tarde, quando voltar a acordar assim, não terei o que ler, não vou recordar (que a memória sem bengala é péssima) e isso não pode ser!!

E como o tempo passa a correr! Num desses posts antigos encontrei fotografias da M. a “agulhar”. Foi há 3 anos e ela fartava-se de enrolar lãs e linhas às mãos e mostrar os resultados muito orgulhosa!
Hoje já agulha a sério! Aqui mesmo ao meu lado! Agora sou eu quem baba de orgulho.

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Observo-a e ela nem dá conta que estou a fazer contas de cabeça para tentar compreender como é que ela cresceu tanto durante aquilo que me parecem ser uns quantos meses (sim, passaram tão rápido que me custa chamar-lhes anos).

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Olho para ela e desejo mais intensamente que às mantas e coisas quentes, que daqui por três anos a minha grande pequena M. continue a querer agulhar perto de mim.

a magia dos cogumelos – Shrooms

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Cogumelos. Nunca fui apanhar e tão pouco os reconheço, mas sempre adorei comê-los. Laminados em massas ou pizzas, assados no forno com alho e coentros, salteados com outros legumes, em empadas, em tartes.. adorava!! – no passado que ando desconfiada que passou a existir uma certa intolerância ao alimento. E talvez seja por isso que senti necessidade de os ver de uma forma que não a alimentar.

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Não é de hoje, esta vontade de os materializar em tecido, mas só recentemente arregacei as mangas e me caí com eles ..são temperados com alfazema(!), mas não são salteados ou assados. Estes são mágicos!!

Não! Também não chegam a ser alucinogénos. São somente mágicos! …er.. na verdade, “somente mágicos” não se aplica, já que a magia é algo imenso do tamanho daquilo que não vemos, mas em que acreditamos (seja lá o que for).

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E então é isso, estes cogumelos levam magia dentro de si, a magia que cada um de nós precisa para aquilo que é necessária. Quem quer um pouco de magia?

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Brevemente disponíveis na loja online em diferentes cores e padrões 🙂

Alegria!!!

Imaginem a coisa assim:

De fora, ao fundo da rua, já se vê gente e cor. À medida que se aproxima começa a ouvir música, conversa e risos, o tilintar de copos ..é uma festa!!
Na rua, existem bandeirolas e um banco corrido em madeira com almofadas coloridas …uma pequena montra deixa adivinhar o acolhedor interior da loja. Clara, cheia de luz a loja vive um dia de rebuliço, mas percebe-se que é um espaço sereno que convida a entrar muitas vezes pelos dias, meses ..anos que se seguirão! Mas hoje, hoje é dia de festa! É dia de inauguração!! 😀

Site finalmente pronto e loja online a funcionar!!!

Sejam muito bem-vindos!!